quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Náutico segue

A saída de Lisca foi indiscutivelmente o assunto mais comentado nos últimos dois dias no futebol pernambucano, intitulado como "o mais animado do Brasil". De fato, a imprensa repercutiu bastante o fato, até pela maneira de como a notícia vazou (um taxista que atendeu Lisca anunciou sua saída em primeira mão) e a torcida, em sua maioria (e incluo-me neste grupo), lamentou bastante a saída do comandante. Mas é preciso deixar o passado recente para trás e mirar no principal objetivo do clube. 

 lisca náutico (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

A Série B sempre se caracterizou como uma competição de enorme competitividade, bem mais nivelada do que a Série A. Com exceção dos anos de 2003, 2005, 2006, 2008, 2009 e 2013, quando times como Palmeiras (por duas vezes), Botafogo, Grêmio, Corinthians e Vasco (disputando a competição pela segunda vez em cinco anos), membros do "G-12", estiveram na disputa já como virtuais campeões, sempre foi difícil apontar um campeão na Série B. Até times mais tradicionais que os habituais, como Coritiba, Goiás, Atlético/PR e Figueirense ou levaram mais de dois anos para subir ou não conseguiram o acesso com título. A competitividade chegou a níveis alarmantes em 2012, quando o São Caetano obteve 71 (setenta e um) pontos (a "margem de segurança" é de 65) e ainda assim não conseguiu o acesso.


O Náutico, nas últimas edições em que participou no atual sistema, sempre esteve brigando por alguma das quatro vagas. Subiu em 2006, em 2010 foi o time do 1º turno que passou mais tempo no G-4, porém atrasos salariais ocasionaram uma brusca queda de rendimento que quase terminou em rebaixamento. Tornou a subir em 2011, ficando em 2º lugar atrás apenas do histórico time da Portuguesa apelidado de "Barcelusa" pelo futebol de alto nível praticado.

Para ter êxito nesse fundamental desafio, o Náutico precisa resolver alguns problemas prementes:

- Achar um técnico que se enquadre no perfil técnico/financeiro do clube e tenha condição de galgar e buscar o título;

- Resolver seu problema de preparação física (terá uma intertemporada valiosa para fazê-lo); 

- Resolver problemas internos que evidentemente existem;

- Identificar necessidades pontuais do time e reforçá-lo com o máximo de critério.

 
A fórmula para subir os degraus que levam até a Série A é conhecida: vencer em casa. Tanto em 2006 como em 2011, o Náutico teve a melhor campanha como mandante da competição. Em 2006 perdeu apenas um jogo em seus domínios e em 2011 foi o único time das quatro séries futebolísticas nacionais a terminar invicto em casa.

Pesou para o título não vir nos anos citados a irregularidade fora de casa. Em 2006 foram apenas duas vitórias em territórios inimigos e o dobro em 2011. Um padrão que permita ao timbu executar ao máximo o planejamento básico passa pela chegada de um técnico que conheça a competição, teorica ou praticamente. 

Foram característica desse time também a presença de ao menos  um jogador que puxasse a responsabilidade e resolvesse nos momentos mais difíceis.

Em 2006, Netinho, Kuki e Felipe foram responsáveis, juntos, por 41 dos 64 gols do Náutico, ou 64,06% dos gols marcados; em 2011, Kieza, sozinho, foi responsável por 21 dols 51 gols do Náutico, ou 41,1% dos gols marcados. É preciso encontrar, ainda, os jogadores que assumam esse posto. Infelizmente, como visto no post passado (Lisca Precipitado), lesões tiraram de combate atletas que já eram pilares do grupo

O acesso é possível. Com ou sem Lisca. A vantagem competitiva praticamente não existe. Com exceção do Vasco, os times são muito nivelados. Vai ser duro. Mas vai ter que ser.

Vamos subir, Náutico

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Lisca Precipitado

Pouco mais de cinco meses após sua contratação oficial, Lisca deixa, por vontade própria, o comando do Náutico. O pedido de demissão foi inicialmente negado pelo presidente executivo, Glauber Vasconcelos, mas o treinador não revogou sua decisão e de fato está fora do clube.

O técnico, bastante conhecido no futebol gaúcho, chegou ao clube num momento de necessidade: necessidade de resiliência, de auto-estima, de vitórias. Mas com o moral em baixa, o caixa apertado, a unidade política mais quebrada do que nunca e o nome e a credibilidade do clube sem respaldo, foi difícil encontrar momentos de tranquilidade num trabalho incipiente.

Com apenas três jogadores no plantel no momento em que assinou com o clube, o maior desafio de Lisca foi remontar um elenco do zero. Com todos os obstáculos já citados em meio ao processo. O tripé dos negócios (dinheiro, oportunidade e respaldo) sustentado por uma só coluna foi suficiente para trazer, aos bolos, uma leva de atletas, em sua maioria desconhecidos, para jogar a Copa do Nordeste em um tempo de 18 dias. Com um mercado escasso e, nas condições do Náutico, débil.

Dados os primeiros passos de uma longa caminhada, veio a Copa do Nordeste em um grupo dificílimo, com o rival Sport, opulente, munido de muito mais recursos e recém egresso a Série A; o Botafogo/PB, que alguns meses antes havia conquistado a Série D; e o Guarany/CE, junto ao Náutico uma incógnita. 

Sem delongas, não havia, nem no pequeno grupo de alvirrubros mais otimistas, alguém que acreditasse numa arrancada espetacular no início do trabalho. A esperança criada e o otimismo renovado após uma vitória, após quase dez anos completos, sobre o Sport na Ilha do Retiro na 2ª rodada da competição acabou por frustrar, mais do que se podia prever, toda uma torcida que meses antes não galgava mais nada, com a posterior eliminação. O fato de que, passadas três rodadas e, tendo o Náutico um jogo a menos que Guarany e Sport, estando entre os dois que seguiriam adiante criou a certeza de uma classificação que não veio de maneira quase trágica.


E aí veio a primeira das muitas dificuldades que Lisca passaria no Recife: o jogo adiado com o Botafogo, que colocou o Náutico em uma sequência desumana de jogos e sobrecarregou fisicamente um time que mal teve pré-temporada. 

Ainda nesta competição, sua comemoração incomum e, principalmente, atrevida no alambrado na Ilha do Retiro após a quebra de um longo tabu criou um rótulo folclórico em cima do mesmo que sempre escondeu seus méritos: o de doido. Esse "título" já veio em sua mala de Caxias de Sul, mas sua "rivalidade" com o atacante Neto Baiano, do Sport, e demais atitudes ao longo de sua passagem, curta, mas intensa, só fizeram aumentar mais essa associação. Tudo isso representava um paradoxo. Lisca não é e nunca foi doido. Ao contrário. Mostrou-se inteligente, excelente orador, quase prosaico, e, principalmente, intrépido, o que incomodava pelas respostas em alto nível dadas a imprensa, acostumadas as toupeiras prolixas que comumente aqui trabalham. Tinha pouca tolerância a factoides quase diários, sempre rapidamente desmentidos pelo mesmo. Um Lisca incomoda muita gente. 

Foto: Guga Matos/JC Imagem


Eliminado da Copa do Nordeste, as atenções voltaram-se para o Campeonato Pernambucano. Embora irregular, Lisca transformou seu grupo, limitado, em um bando competitivo. Qualitativamente deficiente, taticamente obediente, sempre motivado. O Náutico nunca correu sérios riscos de ficar de fora do grupo dos quatro que se classificariam as finais, e provou isso com uma improvável liderança, que colocou o timbu frente ao Salgueiro na primeira batalha. O grupo era, acima de tudo, cônscio.

Valente, mesmo com a derrota em Salgueiro, o timbu conseguiu, nos pênaltis, passar a final em emocionante embate. A disputa pelo título não ocorria desde 2010. O rival era o mesmo da última final: o Sport.

Nos últimos anos, o Campeonato Pernambucano consolidou-se como parelho, com uma disputa acirrada e imprevisível pelo título. Apesar do centenário tricolor, não havia como negar o favoritismo gritante do Sport, que, com a chegada de Eduardo Baptista fez valer seu rótulo: foi absoluto nas finais e merecidamente venceu. O sentimento, embora não haja como não carregar a tristeza, era diferente do de outros anos. E a torcida estava com Lisca. O Náutico não perdeu um campeonato praticamente ganho, disputou, até o fim, um campeonato em que todos davam, desde o início, como perdido.

O início de Série B, embora apenas três rodadas tenham se passado, foi consideravelmente bom. Invicto, o Náutico venceu em casa e, com contextos diferentes, pontuou fora. O último jogo pelo campeonato teve sabor de derrota, mas a fórmula do acesso estava sendo aplicada: vencer em casa, pontuar fora.

http://nauticonet.com.br/web/wp-content/uploads/2014/02/Lisca-Foto-Aldo-Carneiro2.jpg

O ocaso de Lisca ocorreu na Copa do Brasil, após derrota vexatória para o América/RN por 3x0 na Arena das Dunas.

Em uma análise sucinta, os grandes obstáculos de Lisca, além dos expostos no início do texto, foram:

1. O adiamento do jogo com o Botafogo/PB na Copa do Nordeste, que comprometeu a parte física do time;

2. Seu rótulo de "doido", sempre maquiando seus acertos, que foi aumentado pela sua rixa com Neto Baiano e:

3. Sua relação de celeuma com a imprensa; Lisca era pouco leniente e a imprensa demasiada atrevida em sua maioria, plantando notícias escusas que sobrecarregavam um ambiente já tenso. No breve período de Náutico, segundo a imprensa, Lisca discutiu com Marcelinho, Elicarlos e Marcos Vinicius, mas o técnico só confirmou a discussão com Marcelinho;

4. Seu perfil de "dar a cara a tapa", o que sempre lhe colocava em primeiro plano mesmo ante os problemas que não lhe diziam respeito e que avolumavam, ainda mais, uma vasta carga; 
5. O peso de dirigir um clube carente de títulos, vitórias ou até mesmo perspectivas, tarefa escabrosa e que nem todos os profissionais do mercado estiveram/estão dispostos a aceitar;

6. Problemas de vestiário que foram, na maioria, causados por fatores externos;

7. O "fantasma das lesões" que assombraram o jogador do Náutico, deixando "hors de combat", Pedro Carmona e Luiz Alberto, peças-chave do time, e ausentes por tempo considerável Zé Mário e Marinho, dois verdadeiros motores em campo.

Lisca Náutico (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

Ao pedir demissão do Náutico, Lisca comete um erro. Tenho uma convicção a respeito do futebol, que é aplicável dos dois lados da mesa: não se tomam decisões de cabeça quente. Principalmente se quem tiver que tomá-la for dotado de perfil explosivo, como Lisca, inegavelmente, é.

Após a derrota para o América, onde o time todo esteve em desempenho horrível, sem nenhuma eficiência, Lisca tomou problemas de um semestre quase inteiro e tomou sua decisão. Contra a vontade dos dirigentes. De cabeça quente, sem analisar a parada vindoura em decorrência da Copa e sem analisar que, queiram ou não queiram os críticos, o Náutico vinha sendo eficiente. Ainda não eficaz, mas eficiente. E, fazendo isso, ele não prejudica só ao Náutico, mas a ele mesmo. 

Contra o Náutico:

1. Fica refém de um elenco desconhecido, indiscutivelmente limitado e montado por Lisca;

2. Tem que resolver, além do evidente problema de preparação física, a lacuna do técnico em um mercado escasso e inflacionado em um curto período de tempo;

 3. Perde o pilar de um projeto feito para o biênio inteiro.


Contra Lisca:

1. Abandona um projeto de dois anos embasado nele, em um clube de tradição que sempre foi uma valiosa vitrine;

2. Perde a chance de reerguer este clube. O trabalho, paulatinamente, vinha acontecendo, embora com muitas dificuldades. Reforços, indicados por ele inclusive, estavam/estão chegando. A parada para a Copa está na iminência de ocorrer, havendo espaço e tempo para uma intertemporada onde problemas físicos, técnicos e táticos poderiam ser corrigidos;

3. Contradiz sua classe ao abandonar um trabalho florescente, visto que hoje a queixa dos treinadores brasileiros é que, no modelo de fazer futebol do país, não se dá chance ao técnico de desenvolver o trabalho. Lisca tinha uma diretoria que o blindava e o respaldava da maneira que podia, mas aparentemente a sobrecarga emocional é maior do que o pensado.

Lisca, profissional sapiente, estudioso do futebol, de sua história e de seus componentes, marcou época no futebol pernambucano mais como um personagem folclórico do que como o treinador destemido que é. Seu grande defeito é não conhecer muito o mercado, suas indicações são muito restritas ao futebol gaúcho. Mas não se deve esquecer que nosso último acesso foi comandado por Waldemar Lemos, diferentemente peculiar e igualmente limitado, restringido-se ao mercado carioca.

 Boa sorte a Lisca, que passou de doido para precipitado. Fica o Náutico.

Lisca Náutico (Foto: Antônio Carneiro / Pernambuco Press)
Estatísticas de Lisca enquanto comandante alvirrubro:

Geral
Número de jogos: 26
Vitórias: 10
Empates: 7
Derrotas: 9 
Aproveitamento: 47,43%
Gols marcados: 31 (média de 1,1 por jogo)
Gols sofridos: 32 (média de 1,2 por jogo)
Saldo: -1

Copa do Nordeste
Número de jogos: 6
Vitórias: 1
Empates: 3
Derrotas: 2
Aproveitamento: 33,33%
Gols marcados: 4 (média de 0,66 por jogo)
Gols sofridos: 7 (média de 1,1 por jogo)
Saldo: -3

Campeonato Pernambucano
Número de jogos: 14
Vitórias: 7
Empates: 2
Derrotas: 5
Aproveitamento: 54,76%
Gols marcados: 20 (média de 1,4 por jogo)
Gols sofridos: 17 (média de 0,8 por jogo)
Saldo: 3

Copa do Brasil
Número de jogos: 3
Vitórias: 1
Empates: 0
Derrotas: 2
Aproveitamento: 33,33%
Gols marcados: 1 (média de 0,33 por jogo)
Gols sofridos: 4 (média de 1,33 por jogo)
Saldo: -3

Série B
Número de jogos: 3 
Vitórias: 1
Empates: 2
Derrotas: 0
Aproveitamento: 55,55%
Gols marcados: 6 (média de 2 por jogo)
Gols sofridos: 4 (média de 1,33 por jogo)
Saldo: 2 

Mandante
Número de jogos: 12
Vitórias: 6
Empates: 1
Derrotas: 5    
Aproveitamento: 52,7%
Gols marcados: 15 (média de 1,2 gols por jogo)
Gols sofridos: 15 (média de 1,2 gols por jogo)
Saldo: 0

Visitante
Número de jogos: 14
Vitórias: 4
Empates: 6
Derrotas: 4
Aproveitamento: 42,8%
Gols marcados: 15  (média de 1,07 gols por jogo)
Gols sofridos: 14 (média de 1 gol por jogo)

  


Próximo post: O Náutico segue (em 09/05)



Por Rodolpho Moreira Neto


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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Post 64 - O conceito equivocado de profissionalização

Profissionalizar o futebol é uma ideia que a muito tempo vem sendo teorizada no Náutico. O problema é que, na prática, os resultados não comprovam isto.

Hoje foi confirmada a contratação do lateral-direito Oziel. Além dele, um lateral-esquerdo será contratado, sendo este ou não William Rocha. Este incremento eleva para 30 (trinta) o número de contratações realizadas em 2013, 8 (oito) a menos do que em 2012, quando 38 atletas reforçaram o clube.

Obviamente, as últimas contratações se faziam extremamente necessárias, visto que com o elenco de que o Náutico dispunha até dois meses atrás era o mais provável candidato ao descenso. A dúvida é: por que mais uma vez foi desperdiçado um semestre inteiro com uma fórmula que a anos não traz resultados?

2013 (30)
Ricardo Berna e Andrade – Goleiros;
Luís Eduardo, Alcides, Luiz Eduardo Félix, João Filipe, William Alves e Leandro Amaro – Zagueiros;
Maranhão, Bruno Collaço, Oziel, Eltinho e William Rocha - Laterais;
Marcos Paulo, Rodrigo Souto, Magrão e Derley – Volantes;
Giovanni Augusto, Vinicius Pacheco, Angelo Peña, Diego Morales e Tiago Real – Meias;
Elton, Jones Carioca, Caion, Adeílson, Hugo, Juan Olivera, Jonatas Belusso e Maikon Leite – Atacantes.

No que diz respeito a profissionalização, muitos gerentes amadores, e isso é prática comum em vários clubes, acham que basta contratar um diretor remunerado e pronto, está profissionalizado o futebol. Só que não funciona assim.

Considerando as duas últimas gestões (2010-2011 e 2012-2013), na qual tivemos Paulo Wanderley como vice-presidente executivo e presidente executivo, respectivamente, o Náutivo teve 3 profissionais responsáveis pelo futebol:

Gustavo Mendes, de janeiro de 2010 até março de 2011; No período, o Náutico contratou 71 atletas.


Carlos Kila, de junho de 2011 até fevereiro de 2013; No período, o Náutico contratou 56 atletas. Saiu do clube pois não aceitou tornar-se gerente enquanto Daniel Freitas assumia seu antigo cargo.


Daniel Freitas, de janeiro até julho de 2013;  No período, o Náutico contratou 30 atletas.


Mesmo com pessoas experientes no meio, o Náutico em nenhum dos anos citados (2010, 2011, 2012 e 2013) conseguiu realizar menos de 30 contratações, prova inconteste de que algo está errado no sistema montado.

Na minha opinião, os números de cada um dos profissionais não podem ser avaliados de maneira justa, pois a grande verdade é que o Náutico não sabe o que é verdadeiramente profissionalizar. Profissionalizar o futebol não significa ter um clube profissional.

Em 2010, Gustavo Mendes foi responsável, junto a Gallo e Maurício Copertino, pela remodelação do elenco entre o Pernambucano e a Série B. A ação fora bem sucedida e o Náutico liderava a competição, tendo, em 10 jogos, perdido apenas um. Contudo, os atrasos salariais impediram o time de continuar no caminho rumo a Série A em que se encontrava. Alguém responsável pela gestão do elenco pode ser responsabilizado pela incompetência administrativa dos executivos?

2010 (49)
Gustavo, Bruno Fuso, Gideão e Rodrigo Carvalho – Goleiros;
Gomes, Ediglê, Diego Bispo, Vinicius, Igor, Walter, Wescley, Saulo e  Henrique Santos  – Zagueiros;
Denis, Daniel, César Prates, Rafael Foster, Wilton Goiano, Flávio Kaká, Anderson Paim, Jeff Silva e
Guaru – Laterais;
Ramirez, Hamilton 2x, Márcio Tinga, Elton Giovanni e Rodrigo Pontes – Volantes;
Itamar, Zé Carlos, Felipe Pinto, Thiago Marin, João Henrique, Thiago Lima, Erick Flores, Giovanni
Augusto, Francismar e Edinho – Meias;
Geílson, Bruno Meneghel, Rodrigo Dantas, Erivelto, Evando, Anderson Lessa, Max, Cristiano,
Bruno Veiga, Candinho e Joelson – Atacantes;

Em 2011, o Náutico contratou um total de 33 atletas. Apenas 11 deles (Neno, Marlon, Ronaldo Alves, Alex Fraga, Gustavo, Lenon, Alexandro, Moisés, Paulo Sérgio, Rafael Xavier e Jefferson Berger) foram trazidos por Carlos Kila, após o Campeonato Pernambucano. Reparem que eu coloquei a lista de jogadores para destacar: nenhum deles chegou já respaldado como boa contratação, pois o Náutico simplesmente não tinha dinheiro para trazer mais atletas, já que 2/3 do orçamento anual daquele ano foram gastos nos 4 primeiros meses (em resumo, no Campeonato Pernambucano). Pode-se culpar o diretor por não dispor de dinheiro para contratar?

2011 (33)
Douglas – Goleiro;
Everton Luiz, Wescley, Jorge Felipe, Rafael Nitsche, Marlon, Ronaldo Alves, Alex Fraga e Gustavo –
Zagueiros;
Rodrigo Heffner, Peter, Neno e Aírton – Laterais;
Everton, Elicarlos, Derley, Ramirez, Rodolfo Potiguar e Lenon – Volantes;
Eduardo Ramos, William e Deyvid Sacconni – Meias;
Kieza, Ricardo Xavier, Rogério, Daniel Caiçara, Fábio Reis, Silas, Alexandro, Moisés, Paulo Sérgio,
Rafael Xavier e Jefferson Berger – Atacantes;


O grande fato é que os times que hoje fazem sucesso no Brasil são os times que perceberam que profissionalizar é bem mais que investir no futebol. Um investimento em marketing irá gerar mais sócios; com mais sócios, aumenta o interesse de empresas em patrocinar o clube; com patrocínios, o clube ganha receita para investir no futebol.

Aplicando isto em nossa história recente: se tivesse um patrocinador master durante 2010, o Náutico poderia ter regressado à Série A um ano antes, pois haveria receita para manter as folhas de pagamento. Porém, só em novembro, último mês do calendário futebolístico brasileiro foi anunciado a parceria com o Banco Bonsucesso.

O Internacional, que até 2003 matinha uma mentalidade escassa similar ao que temos hoje no Náutico, hoje possui mais de 100.000 sócios. Forte atrativo que o levou a ser patrocinado pela Nike, gigante da indústria de material esportivo. No quesito marketing, o problema em Rosa e Silva é que ainda não se percebeu que ele tem que ser tirado da planilha de custos colocado na planilha de investimentos. Urgentemente. O potencial de mercado da torcida do Náutico é enorme, falta os dirigentes assimilarem isto. 

 Philco: Antes de começar a ser patrocinado pela empresa, em maio, pela empresa, Náutico passou 26 meses com a cota vaga. Prejuízo: mais de 2,5 milhões.

O mesmo se aplica as categorias de base. Semana passada, o MTA - Movimento Transparência Alvirrubra realizou seu segundo fórum aberto. Um dos palestrantes foi João Paulo Sampaio, coordenador técnico da base do Vitória. Segundo ele, a estrutura física do Náutico em relação a do Vitória, desde quando o rubro-negro baiano começou seu projeto para tornar-se um clube formador em 1991 até hoje, é muito melhor. Então, por que o Vitória revela e negocia muito mais atletas que o Náutico? A resposta é óbvia: gestão profissional.

É preciso pensar em profissionalizar o clube, e não (apenas) o futebol. Algo que os dirigentes do Náutico ainda não assimilaram. A mudança de mentalidade se faz necessária, pois com a metodologia atual*, o Náutico seguirá nesse tortuoso caminho.

* - Em todos os anos passados desde 2003, em sequer um o Náutico realizou menos de 20 contratações. São mais de 200 atletas e só um título conquistado. Contra NÚMEROS não há argumentos. O caminho para fazer um Náutico vencedor não é este,

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Post 63 - Apresentação MTA

No dia da inauguração da Arena Pernambuco, recebi o convite por parte dos membros do MTA para apresentar um balanço do futebol do Náutico aos membros do grupo e outros conhecidos que se identificassem com a causa, sintetizando informações que foram anteriormente apresentadas aqui no blog.

Tal apresentação ocorreu ontem no espaço Ação Visual, em frente a unidade do IOR no Espinheiro. Sem muitas delongas para deixar a postagem objetiva, ocorreu um debate de nível, relembrando os muitos erros cometidos ao longo dos últimos 5 anos que proporcionaram um total de 210 contratações, das quais sequer 20% foram realmente aproveitados. 

O material apresentado pode ser conferido clicando-se aqui.

Seguem algumas fotos da reunião:

 Glauber Vasconcelos, candidato a vice-presidente do Conselho pelo MTA em 2011 apresenta os ideais do movimento




Apresentação do conselheiro Carlos Lindberg Lins


Apresentação de Joaquim Araújo



Apresentação de Paulo Alves, candidato a presidente em 2009 


Apresentação de João Araújo


Apresentação do material por Rodolpho Moreira Neto, um dos membros do Legião Alvirrubra


 Conselheiro Durval Valença Filho, candidato a vice-presidente executivo em 2011 pelo MTA, emite opinião sobre o material apresentado


Apresentamos, ainda, três cases baseados na montagem de elenco do São Paulo, do Corinthians e do Santos em material impresso. 

A relação de contratações do Náutico desde 2008 pode ser conferida nas tabelas abaixo:






quarta-feira, 1 de maio de 2013

Post 62 - Balanço financeiro 2011/2012

A diretoria do Náutico emitiu ontem o balanço financeiro referente aos anos de 2011 e 2012, que pode ser visto clicando-se aqui

Lembro-lhes que, nos anos publicados, o Náutico encontrou-se em situações distintas. Em 2011 o clube disputou à Série B, conseguindo neste ano o acesso para disputar à Série A em 2012.

Embora Paulo Wanderley, Berillo Júnior e Toninho Monteiro insistissem em negar tal informação, lançada pelo ex-presidente alvirrubro André Campos ainda em 2011, a receita operacional do Náutico no ano passado foi de R$ 41 milhões, representando um aumento de 113% com relação ao valor de 2011.


Vale lamentar à proporcionalidade vista no balanço, uma vez que mesmo com o aumento gritante nas receitas, é notado um acréscimo de 15% nas dívidas do clube, elevando-as de R$ 62.442.207 para R$ 71.978.517. Questiono se esse aumento não é relativo as inúmeras dispensas feitas após o Pernambucano 2012, que teve um grande número de contratações (14), mas os dados apresentados em dezembro aqui no blog revelam à falta de critério para fazê-las: apenas dois jogadores permaneceram para o Campeonato Brasileiro. 

A receita com patrocínio aumentou em quase seis vezes, valor que poderia ter sido melhor aproveitado caso não tivéssemos passado 16 meses sem uma cota máster. A receita com sócios quase dobrou, algo quase insignificante se lembrarmos que uma das bandeiras de Paulo Wanderley foi aumentar o quadro social, fazendo-o chegar aos 20.000 adimplentes (tal falha é a cereja do bolo de um vexatório trabalho do Departamento de Marketing).

Entre outros questionamentos pendentes, os quais prefiro esperar novos dados para fazer, ainda me encontro esperando uma suposta empresa que irá realizar à auditoria externa do clube, empresa que Gustavo Krause, parecendo candidato a presidente, prometeu em entrevista pré-eleições 2011. A empresa citada foi a Ernst Young, que faz (ou fazia) trabalhos para as empresas de Américo Pereira.

Fonte: Diário de Pernambuco

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Post 61 - Quanto custa essa "economia"?

A terceira eliminação consecutiva nas semi-finais do Campeonato Pernambucano sacramentam um jejum de nove anos sem títulos. Esta marca é o melhor exemplo do estado letárgico em que, há muito, o Clube Náutico Capibaribe entrou. A dita letargia é um produto de gestões fracassadas que vem sendo conduzidas pelo mesmo grupo de cardeais que, ano após ano, vem revesando-se nas pastas mais importantes do clube.

O que mais incomoda, em toda esta situação, é ver os mesmos erros sendo repetidos, ano após ano, insucesso após insucesso. A principal desculpa para este cenário, usada em abundância pelos dirigentes alvirrubros é a falta de dinheiro, e a economia que tem de ser feita para o estadual. Contudo, cada vez mais eu acho inapropriado o uso de tal pretexto econômico, uma vez que as mesmas pessoas que prestam declarações classificando o Náutico como um "clube pobre" são as mesmas que não demonstram nenhum zelo pela saúde financeira do clube, trazendo, sem critério, jogadores aos montes, passando 16 meses sem um patrocinador master, pagando 50 mil reais mensais a um atacante de nenhuma qualidade (Henrique, em 2012) e atrasando os balanços financeiros do clube, ferindo a Lei Pelé. Me incomoda ver nossos diretores falando em economia, quando sei que o Náutico tem potencial para produzir mais recursos e conseguir conciliar títulos com boas campanhas nacionais.

Com esses contra-argumentos, não quero dizer que os diretores devam torrar todo o dinheiro no Campeonato Pernambucano e esquecer do importante segundo semestre (como foi feito na gestão de Berillo Júnior, onde tivemos salários atrasados em 2010 que impediram o acesso do time de Alexandre Gallo e 2/3 do orçamento anual gastos nos 4 primeiros meses de 2011). Mas quero deixar bem claro que o Náutico tem sim condições de fazer um time mais forte e que vença tranquilamente o estadual.

Primeiramente, as saídas de Araújo para o Atlético Mineiro e de Kieza para o futebol chinês representaram uma economia de 210 mil reais na folha salarial. Por que nenhum nome à altura foi trazido para substituir, com eficiência, ao menos um deles?



Além disso, vale salientar os recursos que o Náutico vem deixando de gerar por falta de competência. Uma das metas de Paulo Wanderley, ao assumir o Náutico, foi de aumentar o quadro social para 20.000 sócios adimplentes. Com um ano e meio de gestão, não temos nem 5.000.

Com tudo acima feito, tenho certeza que o Náutico teria condições de melhor qualificar o elenco montado para o Campeonato Pernambucano.

Digo tudo isto porque, deixando de investir, acredito que o Náutico deixe de ganhar dinheiro. Sim, acredito que essa "economia" não seja bem uma economia. Sem títulos, e por ter um deficiente trabalho de marketing, o Náutico não atrai sócios. E sem ambos, não atrai patrocinadores (passamos 16 meses sem um). Com isso, perdemos ainda mais na receita.

Vale ressaltar que, de janeiro de 2010 até maio de 2012, o Náutico deixou de faturar aproximadamente 2,25 milhões por passar 62% desse período sem a cota principal. Imaginem quanto mais foi deixado de ganhar em quase um ano.

Terceiro uniforme do Náutico para a temporada 2012. Foto: Yuri de Lira/Diario de Pernambuco

E, ainda mais importante: sem títulos, o Náutico deixa de ganhar torcedores. Uma reputada empresa portuguesa que oferece cursos voltados para os diversos segmentos da gestão esportiva lançou o seguinte dado: as crianças tendem a trocar de time até os 13 anos. O marketing do clube não trabalha esse público, e, na carência de títulos, é natural que o clube perca torcedores para os clubes mais vitoriosos. E, a longo prazo, mais dinheiro é perdido. Então, no fim, quanto vale essa economia? Alguém duvida que, com essas receitas, daria pra montar um time de muito mais qualidade e, lógico, mantê-lo até o fim da temporada? 

Não concordo com a desvalorização que vem sendo feita do pernambucano. Times como Goiás e Figueirense, que ficaram vários anos consecutivos na Série A, foram campeões estaduais em vários deles, sem fazer loucuras. E assim como o Náutico, eles configuram a classe mediana nacional do futebol. Vejam o comparativo abaixo:

Goiás - Temporadas consecutivas na Série A: 11 (de 2000 até 2010)
              Títulos estaduais neste período: 5 (2000, 2002, 2003, 2006 e 2009)

Figueirense - Temporadas consecutivas na Série A: 7 (de 2002 até 2008)
                        Títulos estaduais neste período: 5 (2002, 2003, 2004, 2006 e 2008)

Não vejo porque o Náutico tem que ser diferente. Esses times tiveram um planejamento sério, que lhes permitiu conciliar à conquista de títulos com boas campanhas nacionais. Se eles conseguiram, nós também podemos. E devemos. Porque, sinceramente, não vejo como o Náutico pode voltar a ser uma potência nacional sem, antes, recuperar à hegemonia estadual/regional.